A Raízen disputa contra o relógio para resolver sua crise financeira mediante acordo extrajudicial, evitando uma recuperação judicial convencional que poderia paralisar operações. O grupo fixou 8 de junho de 2026 como data-limite para finalizar um plano de reestruturação diretamente com seus credores, envolvendo um passivo superior a R$ 65 bilhões.

A empresa protocolou o pedido de recuperação extrajudicial em março deste ano. A estratégia combina negociação direta de dívidas, venda de ativos operacionais internacionais e injeção de recursos pelos acionistas controladores — mantendo a operação sob controle privado, sem interferência estatal ou judicial.

A Shell entrará com R$ 3,5 bilhões em capital novo, enquanto a Aguassanta Participações (veículo da família Ometto) contribuirá com R$ 500 milhões. A multinacional anglo-holandesa justificou o aporte como "prudente e necessário para enfrentar desafios financeiros". O plano oferece aos credores a conversão de 45% do saldo da dívida em ações da Raízen ao preço de R$ 0,25 — com desconto sobre a cotação atual, o que diluirá a participação da Cosan e Shell na estrutura acionária.

O cenário mudou após fundos do BTG Pactual desistirem de aportar R$ 5,5 bilhões diretos na divisão de distribuição de combustíveis. Em compensação, o banco coordenou capitalização de R$ 10 bilhões na Cosan (holding controladora): BTG injetou R$ 4,5 bilhões, a gestora Perfin contribuiu com R$ 2 bilhões e Aguassanta com R$ 750 milhões. O trio conquistou 55% do capital votante da Cosan, reforçando indiretamente o suporte de curto prazo à Raízen.

A solução representa aposta no mercado privado — banco, gestoras e acionistas buscam viabilidade sem depender de decisões judiciais ou subsídios públicos. O desfecho até junho próximo definirá se a reestruturação prossegue sem judicialização ou se a empresa adentrará um processo convencional de recuperação.