O Partido dos Trabalhadores apresentou, na terça-feira 30 de janeiro, duas representações contra o senador Flávio Bolsonaro e o Partido Liberal junto à Procuradoria-Geral da República e à Justiça Eleitoral. As ações têm como fundamento uma correspondência enviada ao parlamentar pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em que o americano agradecia à disponibilização de uma equipe de transição governamental em caso de vitória presidencial em 2026.

Na petição à PGR, o partido petista acusa Flávio de crimes de corrupção passiva, violação de sigilo funcional e atentado à soberania nacional. O PT sustenta que a carta comprova um contato direto entre um congressista brasileiro e potência estrangeira, alegando ainda que o senador teria oferecido informações classificadas como reservadas pelo Estado para estreitar laços com Washington.

O órgão ministerial foi também acionado para investigar se o pré-candidato solicitou apoio indevido dos Estados Unidos para sua eventual campanha eleitoral. Paralelamente, PT, Partido Verde e PCdoB formalizaram denúncia à Justiça Eleitoral contra o PL, argumentando que a legenda teria violado a Lei dos Partidos Políticos ao supostamente subordinar decisões internas a orientações de governo estrangeiro.

A federação Brasil da Esperança sustenta que conceder a uma administração externa acesso ao processo de transição governamental equivaleria a submeter escolhas futuras à política externa americana. A representação cita viagens de parlamentares liberais custeadas pela Câmara Federal e atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA como elementos de comprovação da alegada subordinação.

O pedido à Justiça Eleitoral solicita que o Tribunal Superior Eleitoral aplique sanções ao PL caso reste configurada a subordinação da sigla a interesses externos. A ação reflete o acirramento da disputa política entre governo e oposição em ano de pré-campanha presidencial.