A Polícia Federal desarticulou uma sofisticada rede de narcotráfico internacional que conectava o Primeiro Comando da Capital a alguns dos criminosos mais procurados do planeta. A Operação Narco Sky, deflagrada terça-feira, revelou que o meganarcotraficante sérvio Antum Mrdeza, codinome Nikolas Boro, e seu comparsa colombiano Alejandro Salgado Vega negociavam diretamente com traficantes brasileiros para remeter cocaína em larga escala à Europa.

Os agentes federais interceptaram conversas pelo aplicativo de mensagens Sky ECC que comprovam a aliança. O brasileiro Marco Aurélio de Souza, conhecido como Lelinho, comandava o braço marítimo da operação desde a Baixada Santista há pelo menos quatro anos. A polícia espanhola já havia apreendido duas toneladas de cocaína enviadas pelo grupo para Aldea de San Nicolás, confirmando o fluxo de drogas.

O esquema funcionava através de uma frota de lanchas rápidas e veleiros de alto-mar que atravessavam o Oceano Atlântico. Lelinho utilizava uma empresa de comércio exterior registrada para dissimular movimentações ilícitas nos portos. A PF já havia capturado o traficante na Operação Narco Vela do ano anterior, quando análise de seus telefones revelou que era parceiro comercial dos europeus, não simples operador.

O sérvio Mrdeza atuava como mente financeira das operações, injetando recursos para compra de embarcações e pagamento de propinas. Relatórios policiais identificaram pelo menos quatro remessas volumosas de entorpecentes movimentadas via estruturas empresariais legítimas para burlar a fiscalização alfandegária. Em um episódio, o cartel conseguiu esconder 500 quilos de cocaína no navio cargueiro Panorea, atracado no Porto de Santos.

A investigação atual mapeia esquemas de lavagem de dinheiro no litoral e busca congelar bens do grupo. A operação representa vitória significativa nas ações federais contra o crime organizado transnacional, desarticulando um núcleo que funcionava com sofisticação operacional e financeira de alto nível.