A Polícia Federal concentra seus esforços de combate ao crime organizado nos dois maiores grupos criminosos do país. De janeiro de 2022 a maio de 2026, o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho respondem por 2.179 das 2.596 prisões totais efetuadas pela corporação — o equivalente a 88% do universo de detenções temporárias ou preventivas.
Os números revelam a escala da operação federal. O PCC foi responsável por 1.102 capturas, enquanto o Comando Vermelho contabilizou 1.077 presos. Outras 100 detenções ocorreram em ações simultâneas contra ambas as organizações. A PF deflagrou 743 operações neste período, com foco predominante nas duas facções em 605 delas — representando 81% do total de ofensivas.
O combate ao tráfico de entorpecentes permanece como a principal prioridade da força federal. Aproximadamente 70% das operações, ou 518 ações, concentraram-se no combate a drogas. O restante dos procedimentos atacou crimes contra o patrimônio, tráfico de armas e delitos ambientais. No tocante às modalidades de prisão, a corporação efetuou 1.639 preventivas e 957 temporárias contra integrantes dessas organizações.
O reconhecimento internacional do problema reforça a urgência das operações brasileiras. O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, em 28 de maio, a classificação do PCC e Comando Vermelho como "organizações terroristas especialmente designadas" e "organizações terroristas estrangeiras". A medida entra em vigor em 5 de junho e autoriza o bloqueio imediato de ativos financeiros vinculados às duas facções em solo americano.
A designação norte-americana abre caminho para sanções internacionais severas. As autoridades dos EUA ganham poder para restringir fluxos financeiros, congelar bens e implementar mecanismos de pressão econômica contra as redes globais das duas organizações. A decisão reafirma que o combate ao crime organizado transcende fronteiras nacionais e exige coordenação internacional estruturada.
