A opositora venezuelana María Corina Machado anunciou, através de redes sociais, sua intenção de retornar à Venezuela, alegando propósito de acompanhar a população afetada pelos tremores de terra ocorridos no dia 24. A líder denunciou, porém, que o regime de Nicolás Maduro fechou o espaço aéreo especificamente para impedir sua entrada no país.

O Departamento de Estado americano adotou postura cautelosa diante do anúncio. Um porta-voz, em declaração sob anonimato à agência AFP, afirmou que o contexto atual é delicado demais para introduzir "questões políticas sensíveis" — referência direta ao retorno de Machado. Washington sinalizou priorizar, neste momento, os esforços de resposta humanitária à catástrofe natural, evitando ações que pudessem exacerbar tensões com a ditadura.

Machado também divulgou acusações de que agentes do regime ameaçaram pessoas que tentavam facilitar seu regresso ao território venezuelano. A opositora deixou a nação caribenha no final de 2025 após operação organizada pelos EUA, que a permitiu viajar para Oslo e receber o Prêmio Nobel da Paz. Posteriormente, entregou a medalha ao presidente Donald Trump.

Segundo veículos de imprensa norte-americanos e analistas políticos, o plano de retorno de Machado gerou irritação na Casa Branca. A decisão da líder opositora de desafiar o bloqueio aéreo madurista coloca Washington em posição constrangedora: apoiar a iniciativa arriscaria prejudicar negociações humanitárias; não apoiá-la enfraqueceria a oposição democrática que o próprio governo americano ajudou a fortalecer internacionalmente.