O presidente Lula realizou nesta semana a inauguração de estruturas inacabadas da obra de transposição do rio São Francisco para o Rio Grande do Norte. A cerimônia incluiu apenas o pilar de uma ponte e um túnel que ainda não cumprem sua função de conduzir água até o estado nordestino.

A pressa em viabilizar entregas está diretamente vinculada ao prazo estabelecido pela legislação eleitoral brasileira. A lei proíbe que o governo federal realize inaugurações de obras públicas a partir de 5 de julho, véspera das eleições municipais marcadas para início de outubro. Com a restrição legal fechando, Lula acelerou cronograma de divulgações de projetos.

O projeto de transposição das águas do São Francisco figura como uma das principais promessas do governo federal para o Nordeste. No entanto, a estratégia de antecipar cerimônias públicas com estruturas ainda em construção levanta questionamentos sobre a real funcionalidade das obras entregues ao público.

A prática de inaugurar marcos parciais de empreendimentos maiores permite que o governo contabilize tecnicamente uma entrega perante a legislação, ainda que o serviço final não esteja operacional. Essa abordagem tem gerado críticas de especialistas e entidades da engenharia, que apontam para a desconexão entre as datas de celebração política e os cronogramas técnicos reais das construções.