Durante seus primeiros três anos e meio no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu 124 entrevistas exclusivas a veículos de imprensa. No mesmo recorte de tempo, Jair Bolsonaro (PL) havia realizado 281 entrevistas — mais que o dobro. Os dados são de levantamento do portal Poder360, que analisou o período entre 1º de janeiro de 2023 e 30 de junho de 2026 para Lula, e 1º de janeiro de 2019 a 30 de junho de 2022 para seu antecessor.

O contraste é consistente ao longo dos mandatos. No primeiro ano, Bolsonaro concedeu 72 entrevistas contra 26 de Lula. No segundo ano, a proporção permaneceu desigual: 63 para o ex-presidente e 43 para o atual. No terceiro ano, a diferença se ampliou significativamente, com Bolsonaro totalizando 105 entrevistas e Lula apenas 38. Nos primeiros seis meses do último ano de governo, Bolsonaro concedeu 41 entrevistas exclusivas, enquanto Lula deu apenas 17.

No primeiro semestre de 2026, das 17 entrevistas do presidente, seis foram para emissoras de TV, cinco para jornais ou revistas, quatro para canais do YouTube, além de uma para site e uma para podcast. Comparando com o mesmo período de 2022, último semestre de Bolsonaro como presidente, o antecessor priorizava televisão (21 entrevistas) e rádio (13), complementadas por seis participações em canais do YouTube.

Dados adicionais revelam que ministros do governo Lula ultrapassam o próprio chefe em exposição mediática. Guilherme Boulos (Psol), ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, liderou com 42 entrevistas exclusivas no período — quase o triplo do total concedido por Lula. Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) ficou em segundo com 15 entrevistas, seguido por Alexandre Padilha (Saúde) com 14.

O Grupo Globo concentrou o acesso ministerial, recebendo 43 das entrevistas de ministros no primeiro semestre de 2026. Das 17 entrevistas de Lula no mesmo período, apenas uma foi concedida à emissora, evidenciando uma distribuição desigual de acesso presidencial entre os veículos de comunicação.