O governo do Irã finalmente marcou o enterro de Ali Khamenei para o próximo dia 9, em Teerã — mais de 120 dias após sua morte, em 28 de fevereiro, durante a Operação Epic Fury, um ataque direto dos Estados Unidos contra seu complexo na capital iraniana. A demora extraordinária, incompatível com as práticas islâmicas tradicionais que prescrevem sepultamentos rápidos, evidencia a desorganização institucional que tomou conta do regime desde a operação americana.
O corpo foi preservado por refrigeração — não por embalsamamento, proibido pelo Islã — segundo a análise do especialista em contraterrorismo Omar Mohammed. Embora a lei xiita autorize adiamentos excepcionais, a duração incomum do período reforça o caos administrativo que sucedeu a morte do líder de 36 anos.
Os preparativos agora incluem mobilização em massa da milícia Basij e da Guarda Revolucionária, numa tentativa clara de canalizar apoio popular e projetar força diante da comunidade internacional — objetivo que a demora anterior já havia comprometido. A cerimônia prevê velórios públicos no sábado e domingo, seguidos de cortejo na segunda-feira em Teerã, com estimativa oficial de 15 a 20 milhões de participantes.
Contudo, especialistas levantam questões sobre o estado do corpo. Mohammed apontou que Khamenei morreu em um ataque com munição perfurante de bunker, o que pode ter deixado poucos restos a apresentar — situação que explica e agrava o atraso no sepultamento. Outras vítimas recuperadas semanas após o ataque foram identificadas apenas por análise de DNA, o que evidencia a magnitude do impacto da operação.
O filho de Khamenei, Mojtaba, foi eleito sucessor, mas a sucessão sem preparação institucional consolidada e a incapacidade de o regime realizar cerimônias fúnebres dentro de cronogramas normais revelam vulnerabilidades estruturais que enfraquecerão a República Islâmica nos próximos meses.
