O Brasil enfrenta uma crise de endividamento sem precedentes. A taxa média de inadimplência das operações de crédito atingiu 4,7% em maio de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central — o maior registro da série histórica iniciada em 2011. O indicador reflete operações com atraso superior a 90 dias no Sistema Financeiro Nacional e evidencia o aperto crescente nos orçamentos das famílias brasileiras.
O cenário é alarmante quando observados dados complementares. A Serasa identificou 81,7 milhões de consumidores inadimplentes em 2026, enquanto o endividamento geral das famílias permanece em patamares elevados. Esse quadro não é mera consequência de ciclos econômicos passageiros, mas sintoma de um problema estrutural mais profundo que políticas governamentais de curto prazo não conseguem resolver.
Carlos Akira Sato, cofundador da Syscapial e especialista em educação financeira, identifica a raiz da questão: o Brasil não investe em formação financeira desde a educação básica. Segundo o especialista, a maioria dos brasileiros só compreende conceitos como juros, crédito e endividamento quando já está em dificuldades — perpetuando um ciclo geracional de má gestão financeira.
A solução passa longe dos programas emergenciais de renegociação de dívidas, ainda que úteis para alívio imediato. Akira defende que a prioridade real deve ser criar uma cultura de poupadores, não apenas de consumidores. Educação financeira estruturada — abrangendo planejamento orçamentário, impacto dos juros e diferença entre consumo e patrimônio — precisa ser disseminada desde cedo, criando bases sólidas para decisões conscientes.
A responsabilidade, porém, não pode recair exclusivamente no Estado. Instituições financeiras, fintechs e empresas privadas têm papel determinante na disseminação desse conhecimento. Consumidores educados financeiramente administram melhor seus recursos, reduzem inadimplência e fortalecem suas relações com credores — beneficiando todo o sistema.
