Maria da Paz, uma senhora de 78 anos que há meio século trabalha sua propriedade no sudeste goiano, ajoelhou-se diante de equipamentos pesados na última sexta-feira para tentar barrar a entrada de máquinas em sua fazenda. A cena, registrada em vídeo, ocorreu durante o cumprimento de ordem judicial para desapropriação ligada às obras de duplicação da GO-330, entre Catalão e Ipameri, e repercutiu amplamente nas redes sociais.

A Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) sustenta que depositou R$ 550 mil como indenização pela área a ser utilizada e garantiu que a residência da produtora não será afetada. Contudo, a realidade vivida pelos proprietários atingidos revela um cenário mais complexo: a comissão representativa dos agricultores aponta que 46 fazendeiros sofrerão perdas e apenas dois acordos foram firmados pacificamente até agora.

O conflito central gira em torno do valor das indenizações. Enquanto a Goinfra alega ter oferecido quantias acima do preço de mercado regional, a família de Maria da Paz reivindica R$ 5,8 milhões pela desapropriação. Os proprietários denunciam ainda preocupação com o avanço descontrolado dos equipamentos e com a possível extração de cascalho em áreas além do necessário para a rodovia, conforme alertado pelo integrante da comissão João Paulo Nogueira da Silva.

A agência defende que seguiu rigorosamente os critérios legais e que as obras prosseguem por determinação judicial. O projeto integra três etapas de um plano estadual com investimento estimado em R$ 400 milhões, objetivo ampliar a capacidade viária entre os dois municípios.

O episódio expõe uma tensão persistente no Brasil: quando o interesse público se choca com propriedade privada, a lei frequentemente assegura o avanço estatal, mas a questão sobre indenização justa permanece aberta e controversa entre quem perde sua terra.