A violência criminal no Rio de Janeiro atingiu novo patamar com a morte de dois policiais militares em operações de patrulhamento separadas, mas próximas em cronologia — apenas cinco dias separam os homicídios. Ambos foram executados com disparos de fuzil na cabeça, marca de uma guerra urbana que o Estado não consegue conter.

O sargento Adriano Pereira de Souza, 36 anos, foi abatido na segunda-feira, 1º de outubro, durante ação na comunidade Faz Quem Quer, em Rocha Miranda, zona norte. Apesar de socorrido, não sobreviveu aos ferimentos. Cinco dias antes, na quinta-feira 28 de setembro, o subtenente André Luiz Cardoso Eccard, 49 anos, caiu morto em patrulhamento pela comunidade da Covanca, Jacarepaguá. No mesmo episódio, outros três policiais foram feridos a bala.

Os atentados demonstram a força operacional de facções criminosas em territórios que deveriam estar sob controle do Estado. Criminosos equipados com armamento de guerra conseguem executar policiais em flagrante em áreas urbanas densamente povoadas, o que revela não apenas a falha tática das operações, mas a incapacidade estrutural de segurança pública do Rio.

As mortes reaquecem o debate sobre combate ao crime organizado, mas colocam em foco principal uma questão anterior: como o Estado protege suas próprias forças quando elas estão na linha de frente? A resposta, pelos números, é: não protege.