O governo norte-americano finalizou investigação comercial contra o Brasil e propôs, na segunda-feira (1º), uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, foi comunicada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e identifica seis práticas consideradas "desarrazoadas ou discriminatórias" que obstaculizam o comércio bilateral.
O relatório norte-americano dedica atenção especial às ordens secretas emanadas de tribunais brasileiros. Segundo o documento, magistrados brasileiros emitiram decisões sigilosas obrigando empresas de mídia social americanas a remover conteúdos políticos e suspender perfis de usuários residentes nos EUA — em alguns casos globalmente. As plataformas foram também proibidas de informar aos titulares das contas sobre tais ordens. Além disso, imposição de multas pesadas, bloqueio de acesso a ativos e contas bancárias, além do fechamento total de plataformas, configuram o quadro de retaliaçãofinanceira contra empresas americanas.
A questão da corrupção consta explicitamente na lista de preocupações. O USTR aponta insuficiência de medidas brasileiras no combate ao suborno e a esquemas corruptivos estruturais. Segurança jurídica e transparência — pilares esperados em relações comerciais — são identificados como carências no ambiente regulatório brasileiro.
O documento também cita falhas na proteção à propriedade intelectual, com destaque para a lentidão nas análises de pedidos de patentes, particularmente de fármacos, e deficiências no combate à pirataria. Quanto aos serviços de pagamento eletrônico, o USTR aponta que o Brasil favoreceu injustamente operadores locais em prejuízo de concorrentes americanos.
Os EUA igualmente questionam tarifas preferenciais concedidas a México e Índia em setores específicos, configurando tratamento discriminatório, além de problemas históricos no acesso ao mercado de etanol brasileiro. A pressão comercial reflete crescente tensão entre Washington e Brasília sobre governança, liberdade de expressão digital e padrões de comércio internacional.
