A liderança do setor produtivo brasileiro acende sinal de alerta para os riscos de uma eventual abolição da escala 6x1 sem planejamento adequado. Fábio Saraiva, presidente da Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje), ressaltou que qualquer alteração desse porte deve ser precedida por diagnósticos técnicos e implementada de forma faseada, sob risco de provocar prejuízos significativos às empresas, aos postos de trabalho e à competitividade da economia.
Segundo Saraiva, embora o debate sobre modernização das relações trabalhistas seja legítimo, mudanças de tal magnitude não podem ser impostas abruptamente. O impacto, alertou, varia conforme o segmento econômico — sendo que pequenas e médias empresas enfrentarão dificuldades particulares para absorver aumentos de custos e reestruturar suas operações.
O presidente da Conaje argumenta que a redução de jornada sem período de adaptação comprometerá a produtividade e a capacidade de geração de postos de trabalho, especialmente em setores com margens financeiras reduzidas. Para ele, mudanças dessa envergadura exigem previsibilidade, permitindo que o setor produtivo se reorganize adequadamente.
Saraiva defende que a discussão seja conduzida mediante diálogo entre trabalhadores, empregadores e governo, acompanhada de estudos de impacto e transição gradual. "O objetivo deve ser conciliar qualidade de vida para o trabalhador com competitividade das empresas, e não colocar esses interesses em oposição", afirmou. "Portanto, reiteramos que discutir avanços é importante, mas eles precisam ser implementados com responsabilidade, previsibilidade e segurança jurídica."
