A Ucrânia acertou a compra de 20 caças Gripen E em acordo com a Suécia avaliado em quase R$ 15 bilhões, movimento que já projeta crescimento significativo na produção brasileira da aeronave militar. O negócio fechado na semana passada obrigará a fabricante sueca Saab a ampliar sua capacidade fabril, incluindo expansão das operações no Brasil.
Mikael Franzén, chefe de vendas da Saab, confirmou que o aumento na demanda exigirá aumentar substancialmente a produção. Atualmente, a empresa fabrica aproximadamente 20 aeronaves por ano no mundo. "Para este primeiro lote, teremos de aumentar a produção. Precisamos expandir no Brasil e talvez ter novas unidades", declarou o executivo durante encontro com jornalistas em Linköping, na Suécia.
A operação brasileira funciona na unidade da Embraer localizada em Gavião Peixoto, interior de São Paulo. Segundo Franzén, a capacidade anual poderá atingir 30 ou mais aeronaves. A fábrica paulista já entregou em março o primeiro Gripen produzido localmente para testes de voo, com outras três aeronaves em construção avançada.
Embora a Ucrânia não receba diretamente os aviões montados em São Paulo, as aeronaves utilizarão componentes críticos fabricados no Brasil, como o painel digital integrado. A mesma unidade produzirá ainda 15 Gripen E destinados à Colômbia, conforme encomenda realizada no ano anterior.
Zelenski estima receber as primeiras aeronaves a partir do final de 2024 para reforçar a defesa ucraniana na guerra contra a Rússia. Os modelos E/F, mesma geração operada pelas Forças Armadas brasileiras, têm entrega programada apenas para 2030. A Saab ressalvou que as partes ainda não formalizaram o contrato.
